Frase

"(...) Quem vai no chão de fábrica compreende melhor o que está acontecendo. Nada melhor do que conversar, escutar e olhar nos olhos de quem foi diretamente afetado (...)" Romeu Zema Neto, governador do Estado de Minas Gerais, durante o lançamento da Campanha S.O.S. Chuva 2023-2024, a respeito dos atingidos por tragédias consideradas naturais na sociedade capitalista, como chuvas em áreas urbanizadas, rompimentos de barragens de rejeitos minerários e coronavírus

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Editais do município de MOC-MG investirão R$ 2 milhões e 800 mil em projetos culturais

Texto: Attilio Faggi

Imagem: Fábio Marçal de Oliveira

A Prefeitura de Montes Claros, através da Secretaria Municipal de Cultura, lançou dois editais que pretendem fomentar diversos segmentos artísticos da região através do incentivo financeiro de projetos. São cerca de R$ 2 milhões e 800 mil que serão disponibilizados aos 114 projetos que serão selecionados. Ambos os editais seguem a Lei Complementar de Número 195/2022 (Lei Paulo Gustavo), o Decreto Federal de Número 11.525/2023 e o Decreto Federal de Número 11.453/2023.

Um deles é o processo de Número 506/2023 (chamamento público de número 015/2023) que tem como objetivo selecionar projetos culturais exclusivamente do setor audiovisual que valorizem a formação, a fruição, o desenvolvimento, a produção e a difusão de conteúdos. O edital destinará o montante de cerca de R$ 1 milhão e 900 mil a 44 projetos com valores entre R$ 15 e R$ 120 mil.

O outro edital é o de Número 507/2023 (chamamento público de Número 016/2023) que visa selecionar projetos culturais das áreas de Artes Visuais, Artes Circenses, Dança, Literatura, Música, Teatro e Multisetorial. O edital destinará cerca de R$ 924 mil para a seleção de 70 projetos culturais que receberão valores entre R$ 5 e R$ 50 mil.

Os editais estão disponíveis na íntegra no site oficial da Prefeitura de Montes Claros e podem ser acessados pelos links: https://licitacoes.montesclaros.mg.gov.br/licitacao/processo-n-5062023-chamamento-publico-n-0152023 e https://licitacoes.montesclaros.mg.gov.br/licitacao/processo-n-5072023-chamamento-publico-n-0162023

Audiência pública debate sobre Lei Paulo Gustavo

Leitura e estudo do Edital da Prefeitura de Montes Claros-MG aconteceu na segunda-feira, 25 de setembro de 2023, às 19h, para outras áreas culturais, e às 22h e 30min, para o setor de audiovisual que terá 70% da verba disponível em virtude do dinheiro vir da Agência Nacional de Cinema (Ancine)

Público presente criticou que Montes Claros, há mais de oito anos, só é cidade da arte e da cultura durante as Festas de Agosto

Sala Cândido Canela do Centro Cultural Hermes Augusto de Paula tem público diminuído para 100 pessoas

Fazedores da cultura popular da cidade norte-mineira reclamaram que receberam a convocação para a audiência pública em cima da hora: na sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Prefeitura cobrará imposto de renda sobre pessoas físicas e jurídicas nos projetos culturais da Lei Paulo Gustavo 

Texto: Hélder Maurício

Imagem: Reprodução

Na segunda-feira, 25 de setembro de 2023, às 19 horas, na Sala Cândido Canela, dentro das dependências do Centro Cultural Hermes Augusto de Paula, foi realizada audiência pública que debateu a Lei Paulo Gustavo editada pela Prefeitura de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, Brasil.

Na oportunidade, foram apresentados dois editais e a nova plataforma desenvolvida para o processo de inscrição. A audiência pública foi uma oportunidade para a população se inteirar sobre os detalhes dos editais lançados e identificar e contribuir para melhoria dos processos dos editais culturais. Houve ainda um momento para tirar dúvidas com o intuito de compartilhamento de opiniões, sugestões e esclarecimentos.

A sessão foi transmitida ao vivo pelos canais online da Secretaria Municipal de Cultura e da Prefeitura de Montes Claros. O evento foi aberto ao público em geral. Outras informações pelo e-mail cultura@montesclaros.mg.gov.br ou pelos telefones 38 3222-3305 ou 38 3222 3307. A Lei Paulo Gustavo, Lei Complementar de Número 195, de 08 de julho de 2022, dispõe sobre ações emergenciais destinadas ao setor cultural a serem adotadas em decorrência dos efeitos econômicos e sociais da pandemia do coronavírus, iniciada em dezembro de 2019. A proposta prevê o repasse de R$ 3 bilhões e 862 milhões a estados, municípios e ao Distrito Federal para aplicação em ações emergenciais que visem a combater e mitigar os efeitos da pandemia do coronavírus sobre o setor cultural.

sábado, 12 de dezembro de 2020

O garoto Aroldo completa 60 anos

Outubro chega e o Salão Nacional de Poesia Psiu Poético garante a resistência social da arte e da cultura. Há 33 anos, sempre de 04 a 12/10, em escolas, praças públicas, mercados, rodoviárias e centros culturais, o maior salão de poesia do Brasil promove a vida plena através da poesia desimpedida. Desde 1987, quando o Grupo de Literatura e Teatro Transa Poética reinventou conceitos artísticos, o Psiu Poético segue quebrando preconceitos e tabus. E na personalidade característica do negro convicto, consciente, operário e funcionário público concursado João Aroldo Pereira está representada toda a luta proletária revolucionária do Psiu Poético. Nascido em 06 de outubro de 1959, em Coração de Jesus, 2019 é o ano dos 60 anos do poeta e agitador cultural performático Aroldo Pereira, que difunde a cultura subversiva de Raimundo Colares e de Arthur Bispo do Rosário na própria pele com mente sã e corpo são.

“Minha consciência política vem desde os 13 anos. Comprava e lia sempre o jornal Movimento e o Pasquim. Adoro andar a pé e de bicicleta. Olhar no olho. Já fui roubado em 19 bicicletas”, conta Aroldo Pereira, sem perder a esperança, suas atitudes muito antes dessas ações serem super-exploradas por organizações não-governamentais, pela mídia grande e pelo mercado capitalista. Andar a pé e de bicicleta hoje em dia é concorrer e arriscar-se no trânsito com os mais de 200 mil veículos automotores que todo dia infestam as ruas e avenidas de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. A velocidade representada pelos ônibus nos quadros artísticos de Raimundo Colares contagia a humanidade e leva o ser humano prestes a ter um ataque cardíaco com tanta pro-atividade. É preciso parar e pensar esclarecida e criticamente para dar lugar ao ócio criativo. A televisão atual está ao alcance das mãos e permite múltiplas possibilidades de entretenimento, nome moderno para cultura pós-moderna.

Durante a Ditadura Civil-Militar Brasileira (1964-1985), mesmo resistindo e morando em MOC, Aroldo Pereira viajava e participava, no Rio de Janeiro, ao lado dos companheiros Elthomar Santoro Júnior (sempre em companhia de um baseado, apesar de pressionado pelo regime de exceção), Sérgio Zuba, Lafetá, Edvaldo (Diva) e Francisbel, do grupo de punk-rock “Atak Cardíaco”. O nome é por causa do seu irmão Sebastião Nélson, que morreu de ataque cardíaco e era um amante do punk-rock. A banda se apresentou na Sessão da Meia-Noite do Teatro Opinião, administrado pelo poeta e dramaturgo João das Neves. Na época vocalista do “Barão Vermelho”, Cazuza foi sua plateia. Antes de se chamar “Ataq Cardíaco”, o grupo se definia como “Cometas Malditos” e “Aranhas de Marte”. Aroldo Pereira preferia ficar perambulando entre Montes Claros e Rio de Janeiro em virtude dos jornais e meios de comunicação do período estarem concentrados na antiga capital federal e dessa maneira divulgava mais a cultura regional. 


“Andando pelas ruas da cidade um rock rola na minha cabeça...”. “Nós somos os carinhas que tocam...”. “Moleques irônicos do punk-rock...”. “Eu quero a sorte de um amor tranquilo...”. “É a pegada do punk-rock. É o que a gente tá rememorando. Essa energia dos 16 anos”, anuncia Aroldo Pereira a partir das 20h do dia 05/10, no Teatro Cândido Simões Canela do Centro Cultural Hermes de Paula, a atração “Pancada: Atak Cardíaco”, punk-rock, revival 1976-1979, com os músicos da cena rock montes-clarense “Animal Core”: Yuri Yuck, guitarrista; Marlon Rodrigues, baixista; Charles Helton, baterista; e Aroldo Pereira, vocalista. “Desde os oito anos que tenho influência do punk-rock”, revela o poeta.

Morador do Bairro Operário-Cultural Morrinho, Santo Expedito e Vila Guilhermina, Aroldo Pereira gosta de destacar que é menino do morro, negro, de bairro proletário, admirador apaixonado dos catopês, marujos e caboclinhos. Na Rua do Bomfim, hoje Avenida Leonel Beirão de Jesus, “fazíamos instrumentos de plásticos” para tocar o bom terror na vizinhança. “Cantava em festivais da Escola Estadual Plínio Ribeiro (Escola Normal) e no Colégio Marista São José”, recorda Aroldo Pereira ao cantar a música “Alucárd”, a palavra “drácula” escrita ao contrário. Há três anos, João Aroldo Pereira recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Hoje é a escritora do Bairro Operário-Cultural Morrinho, Amelina Fernandes Chaves, a agraciada com o título.

O idealizador do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético morou no Rio de Janeiro um ano e meio. Conviveu em diversos ambientes desde Ipanema, Morro do Cantagalo e Botafogo. Passeou pela Avenida Atlântida. Frequentou a Galeria Alasca. Andarilhou pela antiga capital monárquica e republicana brasileira. Conheceu Léo Jaime, Frejat, Caetano Veloso, Pablo Peçanha, Nelson Mota e Ezequiel Neves (Zeca Jeaguer). Sua banda de rock favorita sempre foi o Rolling Stones. Sofreu a perseguição da polícia política da Ditadura Militar por causa de seu jeito espontâneo. Sempre andava com os seus documentos de identificação em mãos. Nunca fumou maconha ou qualquer outra droga e caminha com uma garrafinha d’água a tiracolo. Mas sua negritude, seu perfil quixotesco e sua moda simples causavam desconfiança na sociedade nacional civil, estatal e privatizada. Em 1983, houve o espetáculo “Uns”, de Caetano Veloso, no Canecão, Bairro Botafogo, casa cultural hoje extinta. “Antes do governo de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, me paravam toda hora. No início dos anos 1980, Brizola é eleito e sinto a diferença. Senti de forma claríssima a mudança de paradigma”, testemunha. O negro, o índio, a mulher, o favelado eram respeitados.

Editada pela Academia Juvenil de Letras do Norte de Minas Gerais, fundada em 24 de fevereiro de 1973, e impressa pela Gráfica Tekla, a revista “Káthedra” de abril de 1978 traz texto de Aroldo Pereira intitulado “Força Maior” e datado Rio de Janeiro/RJ, 1º de fevereiro de 1978. “Um grito: NÃO!... Primeiro veio o encontro e a espontaneidade em se dar. Aquele sorriso liberto, solto. Encontrou um semblante - ou foi um espelho? - Inerte. Absorto em pensamentos negros. Aquele ser precisava de uma força amiga. E o sorriso puro e largo veio na hora exata. O semblante sofrido ficou encucado com o riso espontâneo. Mas se alegrou ao perceber que ele era amigo. Alguém cantava, alguém discursava, palavras inúteis iam ao ar. Uma criança preta sorria um riso lindo, juvenil. Uma branca criança ria um sorriso juvenil, lindo. Um ser - de maneira gritante - dizia ser racista. Um carro (em velocidade estonteante) bate e morre... Um político se elegia enquanto outro o traía. Um baby nascia e Maria morria. Um garoto afanava porque há muito não se alimentava. Sim. O universo seguia sua rota de cada dia. O riso espontâneo consolava o semblante sofrido. Pelo diálogo levado, eles já eram amigos-amados. Mas pela sociedade reinante, o pobre semblante era um ex-detido. E o riso espontâneo... Ah! Deixe-o como um ingênuo perdido”.

Sábado, 28 de setembro de 2019

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Gilmar Gusmão, o poeta das frases curtas

Ele sempre, onde chega, começa um assunto com a pergunta. "Mas... sabe o que acontece?". Antônio Gilmar Maia Gusmão ama comer pão sem manteiga com café sem açúcar ou adoçante. Ele detesta tirar foto quando está em seus habituais lanches vegetarianos. Virou vegano aos 25 anos de idade, em 1981, quando trabalhava na Biobrás. Colega de serviço dele na época, o chaveiro Antônio Cordeiro, da ChaveMOC (Rua Dom Pedro II), conta que era horário de almoço na antiga Biobrás (hoje Novo Nordisk).

Todo mundo o chamava de Gilmarzinho. De repente, Gilmar Gusmão pega um garfo e taca na testa do seu colega de trabalho. A partir daí, Gilmar é internado no Prontomente. O poeta silencia profunda e tristemente sobre a questão. Em 2011, administração municipal de Ruy Adriano Borges Muniz e José Vicente de Medeiros, o jornalista Girleno Alencar Soares entrevistou Gilmar na porta da Câmara Municipal de Montes Claros da Avenida João Luiz de Almeida, quando ele jogou duas pedras que se transformaram em cinco para protestar contra o aumento de 15 para 23 vereadores. Gilmar ainda tentou incendiar a Câmara esfregando gravetos entre as mãos. 

"O povo gosta de escrever é minúsculo. Pensa que todo mundo tem óculos pra enxergar?", questiona Gilmar Gusmão ao dizer que quer publicar um livro de poesias com a fonte Arial, tamanho 18. Seu sonho é registrar uma imagem dele segurando a espada do marujo catopê Miguel Sapateiro Pereira no meio de uma mercearia cheia de frutas, verduras e legumes crus, sua alimentação predileta. 

"Poesia minha é frasezinha pequena, entendeu?", define Gilmarzinho que costuma andar sempre de barba grande branca, de bermuda, sandálias e camisas com estampas de movimentos sociais e religiosos. É careca ou calvo. Sua cabeça é uma ilha deserta com cabelos esbranquiçados em volta. Antônio Gilmar Maia Gusmão nasceu em 03 de abril de 1956 na roça. "Toda cidade que eu ia tinha uma igreja católica", reforça. O poeta foi batizado em Aparecida do Mundo Novo por padre Hermano José de Morais Ferreira (padre Dudu) e registrado no Distrito de São Pedro da Garça, município de Montes Claros (MG), na época São João da Lagoa, hoje chamado Simão Campos, "grileiro matador de gente", como gosta de descrever o poeta do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético. 

"Nasci em São Pedro da Garça, mas fui batizado em Aparecida do Mundo Novo", confirma o filho de José da Silva Gusmão e Ovídia Maia Cordeiro, com quase 100 anos. Conforme Gilmar, ela é de 26 de setembro de 1923. O poeta é neto de Afro da Silva Gusmão e Ana Antônia da Fonseca e de Febrônio Paulino Cordeiro e Romana Maia Cordeiro. Foi químico na antiga Biobrás, hoje Novo Nordisk. Saiu da empresa porque todo trabalhador tem medo de acreditar em sua própria versão. Serviu na Biobrás de 20 de dezembro de 1978 a 1984, no ano em que completaria seis anos no empreendimento comercial.

Trabalhou com muito produto químico e ficou internado no Prontomente. "Eu trabalhei nas máquinas mais difíceis da Bioquímica Biobrás", afirma. "Se faltasse um produto para concentrar ficava parado", relembra. "A ativação minha tava 18", diz. "Já fui em muito lugar dormindo acordado", faz memória. Tem proposta para simplificar a Língua Portuguesa. "E se todas as palavras com 'lh' e 'nh' forem substituídas por '#'?", sugere. 

Hoje é poeta e naturalista. Mora à Rua Coração de Jesus, 535, Centro, Montes Claros (MG), CEP 39.400-094 com a mãe, cuidadoras e seu irmão. É de uma família com 10 irmãos. A rua já foi sede da Polícia Federal (que se mudou para a Vila Brasília) e da sucursal do jornal "Hoje em Dia". Gilmar Gusmão foi voluntário da Pastoral da Saúde da Arquidiocese de Montes Claros. 

Na sexta-feira (23/02/2018), jogava dama no computador. Quando fez a última jogada, a da vitória, a luz foi embora. Um apagão tomou conta de boa parte da cidade de Montes Claros/MG. Gilmar Gusmão quer agora ganhar dinheiro com suas poesias, como o grande empresário ganha com a sua empresa e o político com a sua política. Gilmar Gusmão não deseja se aposentar por invalidez. Já foi homenageado pelo Salão Nacional de Poesia Psiu Poético. Vota nulo há muito tempo. 

No dia do seu aniversário, em 2008, ele ganhou um blog (diário virtual): www.gilmargusmao.blogspot.com. Em dezembro de 2012, foi até o Dupere Hotéis (Rua Sílvio Teixeira, 402, São José) insistir para que o seu blog voltasse para a internet. Tinha sido apagado. É frequentador da Biblioteca do Autor Montes-Clarense "Maria das Mercês Paixão Guedes" e de acontecimentos culturais. Não anda de elevador. Sobe e desce escadas. Ofereceu moedas para o economista e, na época, missionário da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e trabalhador do Programa de Desenvolvimento Rural e Urbano (Proderur), Paulo Roberto Faccion, desencantar-se com a vida capitalista.

sábado, 5 de dezembro de 2020

"A cultura norte-mineira, por si só, já se espalha, se propaga", declara Terezinha Campos, presidente da AFL-MOC

Literatura, gastronomia, folclore, música e dança são marcas da região

POR Adriana Queiroz (texto)
Léo Queiroz (imagem)


Terezinha de Souza Campos e Neves nasceu em Montes Claros aos 18 dias do mês de setembro de 1945. “Graças a Deus, porque amo esse torrão”, diz a escritora. É professora aposentada com 40 anos de magistério sendo 25 anos na rede estadual de ensino e 15 na rede particular. “Com orgulho”, conta. No dia 02 de dezembro de 2019, a escritora tomou posse como presidente da Academia Feminina de Letras de Montes Claros (AFL-MOC). A instituição, fundada em 29 de julho de 2009, foi idealizada pela saudosa professora Yvonne de Oliveira Silveira, conhecida pelo seu imenso trabalho em prol da cultura de Montes Claros.

Como é presidir a Academia Feminina de Letras?

É congregar intelectuais e estudiosos da língua portuguesa, enaltecer a literatura e cultivar a cultura de nossa região. O lançamento de livros próprios ou alheios, a promoção de saraus poéticos, apoio e presença em momentos culturais da cidade mostram a relevância do trabalho da AFL de Montes Claros.

Na sua opinião, como está atualmente a disseminação da cultura norte-mineira?

A cultura norte-mineira, por si, só já se espalha, já se propaga por todos os recantos da região, do Estado e do país, alcançando culturas estrangeiras, através de intercâmbios intelectuais numa troca de experiências enriquecedoras num fluxo constante e contínuo desde o artesanato, as comidas, as performances literárias, as danças, as cantigas.

Quais são os desafios para o biênio 2020-2021? 

Pretendemos e vamos conseguir com a bênção de Deus editar uma Antologia a cada ano, conservando assim a proposta da Academia, através da antologista Marta Verônica Vasconcelos Leite. Lançamentos de livros pelas confreiras e outras pessoas da cidade e/ou região; envolver-nos com promoções culturais da cidade assistindo a esses momentos; convencionar a frequência de alunos à Biblioteca do Autor Montes-Clarense, fundada pela então presidente Felicidade Maria do Patrocínio Oliveira, com o apoio do Grupo Minas Brasil e de todas as confreiras da AFL. Esses são alguns desafios e outros vão surgindo, por certo.

Na sua trajetória profissional e pessoal, você é bem decidida. Se pudesse voltar no tempo, o que deixaria de fazer? 

Desacreditar em mim mesma; olvidar a opinião do outro quanto à subestimação de meus valores; deixaria de ser o que o outro quis que eu fosse, deixando prevalecer a sua ideia. Mas hoje eu sou assim tão determinada porque as avalanches que me sobrevieram me ensinaram a ser eu mesma, enfrentando as situações com galhardia, olhando além e acima dos percalços. Aprendi que os seres humanos somos assim: vaidosos, autossuficientes, mas há um Deus que nos redime e transforma. 

A sua posse foi muito prestigiada. Boa música, autoridades, família, amigos. Como você se sentiu no dia de sua posse? 

Foi um momento de grande emoção. Minha família, meus amigos, e ex-colegas, que se transformaram em amigas. Embora com chuva, eles estavam lá, inclusive um dos componentes do trio da Banda do 10º Batalhão de Infantaria (BI) foi meu aluno. Mas amigos, ex-alunos e família são todos família. 

Em que o número de acadêmicas é fundamentado? 

A AFL de Montes Claros, a exemplo da Academia Brasileira de Letras, foi inspirada na Academia Francesa, com 40 cadeiras e 40 patronos, que são pessoas importantes, já falecidas de gerações literárias anteriores. O termo academia remonta à Academia de Platão, escola fundada pelo célebre filósofo grego situada nos jardins, que um dia teriam pertencido ao herói Akademus (donde vem o nome). Ali buscava-se pela dialética socrática o saber pelo questionamento e pelo debate. Ao contrário da Escola de Isócrates, onde o conhecimento consistia na mera repetição do saber. 

Qual a importância para o Norte de Minas Gerais reunir tantos nomes na AFL? E como é feita a seleção? 

A seleção dos nomes baseia-se na arte de escrever, no gosto e na difusão da leitura e da escrita; publicação de livros, publicação em jornais e revistas e comprometimento com a Academia e com a Literatura. 

Fonte: Jornal "O Norte de Minas"

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Encanta-se Ovídia Maia Cordeiro aos 97 anos, mãe do poeta Gilmar Gusmão

"Se queres saber o que é a alma, contempla um corpo sem ela", Santo Agostinho

O 1º Cartório Maria de Lourdes Chaves e Teo Azevedo informa com pesar o falecimento da mãe do poeta Gilmar Gusmão: Ovídia Maia Cordeiro morreu na quarta-feira, 26 de agosto de 2020 aos 97 anos de idade. Nasceu em São João da Ponte no dia 27 de setembro de 1923 do casamento entre Romana Maia Cordeiro e Febrônio Paulino Cordeiro. Dona Ovídia vivia uma vida simples à Rua Coração de Jesus, Centro de Montes Claros, Norte Sertanejo de Minas Gerais, ao lado dos 10 filhos e duas cuidadoras. 

Nesta sexta-feira (28/08), o 1º Cartório Maria de Lourdes Chaves e Teo Azevedo divulgou a passagem de mais quatro pessoas. A causa da morte não é informada. Domingas Alves Fernandes nasceu em 30 de abril de 1933 em Coração de Jesus da união entre Augusta Martins de Jesus e José Alves dos Santos. Partiu em 18 de agosto deste ano aos 87 anos. 

José Quintiliano Sobrinho nasceu em 12 de janeiro de 1957 na Comunidade de Saudade, município de Juiz de Fora, na zona da mata mineira. Era filho de Ana Bernardina da Conceição e Domingos Quintiliano da Silva. Passou desta sociedade capitalista para melhor em 25 de agosto de 2020 aos 63 anos. 

José Joaquim nasceu em 15 de março 1948 em Janaúba da união entre Maria Castro de Jesus e Francelino Borges dos Santos. Morreu aos 72 anos no dia 25 de agosto deste ano. Maria do Carmo Pereira Xavier Martins dos Santos nasceu em 08 de dezembro de 1951 na cidade de Mirabela do casamento entre Justina Ribeiro Neves e Camilo Pereira Xavier. Morreu em 25 de agosto deste ano aos 69 anos. O 1º Cartório Maria de Lourdes Chaves e Teo Azevedo publica a coluna do obituário de terça-feira a sábado na página 04 do "Jornal de Notícias".     

sábado, 22 de agosto de 2020

Governo federal pretende construir barragem em área de preservação ambiental que afetará cinco estados brasileiros

Na quarta-feira, 19 de agosto de 2020, movimentos sociais promoveram debate online sobre a construção de mais uma usina hidroelétrica: a Barragem de Formoso, em Pirapora e Buritizeiro, no Norte de Minas Gerais, e que atingirá outros quatro municípios, como Três Marias e Lassance. O frei carmelita Gilvander Luís Moreira postou a discussão no www.youtube.com sob o título "Em Defesa do Velho Chico, Não à Barragem de Formoso!". O vídeo tem duas horas, sete minutos e cinco segundos e gerou 750 visualizações. 

Da Articulação Popular São Francisco Vivo, em Sergipe, Divaneide Souza, participou do debate e comentou que a região do baixo Rio São Francisco é afetada por esses empreendimentos comerciais que são as construções de barragens. O Estado Burguês desapropria as terras dos atingidos, reassenta-os ou indeniza-os muito precariamente. Estes acabam vendendo a terra para terceiros especuladores e vão aumentar a mão-de-obra barata nas cidades. "Tudo que vier feito no rio de forma irresponsável nos impacta. Estamos sem água para consumo humano", denuncia a liderança que critica o agronegócio e a ameaça nuclear em Itacuruba, Pernambuco. 

Essas obras na roça e em cidades pequenas aumentam o índice de depressão e hipertensão dos moradores "que tiveram de deixar sua terra sagrada", aponta Divaneide Souza. A ordem de serviço da Barragem de Formoso é de 2010. "A Codevasf [Companhia dos Vales do São Francisco e Parnaíba] nos espreme", afirma a articuladora ao explicar que a Codevasf desapropria terras de famílias rurais, loteia-as e vende-as mais barato a empresários. É a grilagem institucional burguesa através de empresas públicas. 

Da Comissão Pastoral da Terra do Norte de Minas Gerais, o engenheiro agrônomo Alexandre Gonçalves (Alemão) também esteve presente no debate. Ele é de São Paulo/SP. É corinthiano. Mas se apaixonou pela cultura ribeirinha. Ele considera que os pescadores dependem da dinâmica do Rio São Francisco. Para ele, os processos de licenciamentos ambientais de barragens são fraudulentos. Estão até querendo fazer processos remotos, ou seja, através da internet. Barragens beneficiam meia dúzia de empresários. Se for construído, o reservatório de Formoso não aumentará a jusante de Sobradinho, vai diminuir a quantidade de água disponível, citou estudo do professor José Patrocínio. "Água para a vida e não para a morte", manifestou-se Alemão. 

Do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP) de Buritizeiro, o vazanteiro Clarindo Pereira dos Santos participou da mesa online "Em Defesa do Velho Chico, Não à Barragem de Formoso!". Ele foi criado às margens do Rio São Francisco. "Sou pescador. O Rio São Francisco sofre até hoje o impacto da Barragem de Três Marias. Os afluentes ajudam na recuperação de rios", observa Clarindo dos Santos ao sublinhar que a construção da Barragem de Formoso afetará a sobrevivência de milhares de famílias que dependem do rio. O agronegócio mata os rios com os seus agrotóxicos. "Nós dependemos do Rio São Francisco", adverte o ribeirinho. "Lá na Serra da Canastra nasce o Rio São Francisco que vai levando vidas para os estados que dele sobrevivem. Eles ficam com o lucro e nós ficamos com o luto", analisa.    

Outros participantes da roda de conversa virtual foram o casal militante da entidade "Velho Chico Vive", Pedro Melo e Lídia Botelho, advogada. "A Barragem de Formoso será um pouco menor do que a de Três Marias. Estão pensando em construir uma barragem em Área de Preservação Ambiental (APP)", denuncia Lídia Botelho. É proibida a construção de barragens nessas áreas. Serão impactados seis municípios. Sítios arqueológicos, comunidades tradicionais (indígenas e quilombolas), bens históricos locais, fauna e flora correm risco de desaparecer, alerta a advogada. 

De Buritizeiro, a militante do Conselho de Pastoral de Pescadores (CPP), Laís Cristina, foi outra participante da roda de conversa virtual. "Alegam que vai ser bom para as comunidades, mas nem esclarecem os atingidos por barragens", declara a ativista. Em 2018, legislação burguesa aprovou corte de buritizeiro para barramento de água. O buritizeiro demora 500 anos para crescer, acumula água internamente e ajuda a matar a sede da população sertaneja, acrescenta. Os governos burgueses desejam deixar no esquecimento as comunidades tradicionais e ainda criminalizá-las, expõe. "O capital toma os espaços e impede os peixes de alcançar as cabeceiras por causa dos barramentos", reforça. Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas serão os estados atingidos pela Barragem de Formoso. Todos os projetos burgueses de lei de governos liberais são para assassinar os rios, canalizá-los e transformá-los em esgoto. "A Barragem de Formoso é altamente arriscada", pensa Laís Cristina ao mencionar que reintegrações de posse acontecem em áreas já reintegradas. 

O carmelita frei Gilvander Luís Moreira mediou o encontro online. "Não vamos permitir mais nenhuma barragem no Velho Chico", sentencia. Ele fez memória aos seis anos de falecimento do pedreiro do Edifício Montes Claros e fundador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Norte de Minas Gerais, Alvimar Ribeiro dos Santos (13/07/1954-19/08/2016). O engenheiro agrônomo Alexandre Gonçalves (Alemão) recorda que conviveu com Alvimar dos Santos durante 11 anos. "A reforma agrária vai nascer, mas ela vem do conflito de sangue", cita o militante da CPT o seu avô, em vídeo mostrado por frei Gilvander. No vídeo, Alvimar Ribeiro dos Santos também menciona que o primeiro 1º de maio que aconteceu em MOC-MG partiu dos movimentos sociais. Ele costumava declarar que "a maior fabricadora de sem-terras é a construção de barragens".  

Apenas o prefeito de Buritizeiro, Jorge Humberto Rodrigues, do Partido da Mobilização Nacional (PMN), posicionou-se a favor da Barragem de Formoso. Projetos de construção de barragens representam ganhos só para o dono a outorga. "Barragem não pode ser feita. Governo só pensa em dinheiro. Não pensa na pessoa que mora na beira do rio", comenta Waldir Alves durante a roda de conversa online. "Que eles pensem nas famílias que ali residem. Não à Barragem de Formoso", apoia Mônica Veloso os movimentos sociais nos comentários. Eulina Magalhães Caetano revela que nasceu na barranca do rio que viu nascer os pais, avôs e bisavôs dela. Maria Eugênia Bastos Diniz recorda que "Pirapora foi capaz de expulsar a ordem franciscana que praticamente nasceu na cidade" e defendia o social e o meio ambiente. "Na época da Ditadura que a Codevasf deu as terras", lembra. Desde a década de 1980 que o Rio São Francisco sofre com barramentos, insiste outro participante dos comentários do debate. 

"Olha, na foz de Formoso, colocaram uma placa proibindo acampar", informa Josemar Alves Durães. Cuidar do rio é cuidar da própria vida. Energia para que e para quem?, deve-se questionar. "A gente não quer mais barragem no Rio São Francisco. O Rio São Francisco precisa ser revitalizado. É luta, gente. Luta que segue. Rio São Francisco Vivo", protestam os movimentos sociais. O engenheiro agrônomo Alexandre Gonçalves aponta para os problemas sociais que serão gerados para a construção de mais um barramento: a retirada das famílias que vivem na região de Formoso, o impacto na dinâmica das cheias dos rios e a pressão muito grande sobre os serviços públicos de saúde e educação. O processo é kafkaniano, complicado e ilegal. Não é legítima, ou seja, a população não o apoia. 

O governador do velho Partido Novo, Romeu Zema, deseja privatizar a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), foi outro assunto discutido na roda de conversa virtual. Milhões de trabalhadores são atingidos por barragens no Brasil inteiro. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) não param de crescer. "Basta de barragens! Tem que frear o progresso econômico e envolver socialmente as pessoas. São Francisco Vivo! Terra e Água! Rio e Povo! É preciso defender o Velho Chico, o Nordeste e o Brasil", sinalizam os movimentos sociais. O grupo musical "Aroeira", de MOC-MG, e o fotógrafo João Zinclar foram citados ao final da roda de conversa online. Da entidade "Velho Chico Vive", Pedro Melo cantou a música "Brasil Lameiro: Tragédia de Brumadinho". A mineração arrasou Brumadinho em 25 de janeiro de 2019. Em 05 de novembro de 2015, a cidade mineira de Mariana era massacrada pela mesma mineração predatória. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Gabriel Filpi explica arte do 34º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético

As inscrições para o 34º Festival de Arte Contemporânea Psiu Poético prosseguem até o próximo dia 31 de agosto de 2020, segunda-feira. Inscreva-se pelos e-mails psiupoetico@gmail.com ou psiupoetico.cinema@gmail.com. O programa cultural acontecerá virtualmente entre 04 a 12 de outubro deste ano. O tema destaca "DançaPalavra". A arte do Psiu Poético é de Gabriel Filpi e retrata uma máscara amarrada a um estilingue para o proletariado pensar em soluções de combater pragas, vírus e bactérias que os aflige pelo mundo capitalista. "Que suscite significados dentro de cada pessoa que a vir, que este estilingue nos lance além de tudo o que o Psiu já foi. E no voo, antes de atingir a mira, que aprendamos juntos a voar", explica o criador da arte do 34º Psiu Poético. Já "DançaPalavra" indica "desenho com finalização digital, grafite, lápis aquarelado, giz pastel oleoso, borra de café e marcador sobre papel, arte gráfica", descreve o artista. 


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Cachaçaria do Durães é lembrada no grupo Tripulantes da Máquina do Tempo

Na quarta-feira, 22 de julho de 2020, o grupo da rede social virtual Facebook Tripulantes da Máquina do Tempo fez memória à Cachaçaria do Durães, que funcionou nos anos 2000 na Rua Justino de Andrade Câmara (antiga Rua do Comércio), número 69, centro histórico de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. A sede foi reformada para abrigar um luxuoso restaurante. Hoje é sede do mandato da deputada estadual Marilene Alves de Souza (Leninha), do Partido dos Trabalhadores (PT). A moradora do Bairro de Lourdes, em MOC-MG, e militante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Norte de Minas Gerais, a socióloga Luzia Alane Rodrigues, animou o grupo. "Essa é pra galera das antigas de MOC. Quem se lembra do Bar do Durães? Ficava ali no Corredor da Fafil [Faculdade de Filosofia] no fundo da Matriz [igreja-sede da Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José, primeiro templo religioso e primeira catedral do município norte-mineiro] e eu era acadêmica de Sociologia. Vivia lá, inclusive, foi lá que iniciei minha vida alcoólica", sorriu. "Saudades do arroz com pequi que ele servia de cortesia, ou era subterfúgio para não entrarmos em coma alcoólico?", indagou. "Saudades do Durães", declarou nostálgica. 

A assistente social Fernanda Pereira Lessa, que mora hoje em Ouro Preto, e outras 145 pessoas curtiram a mensagem. Cinquenta e três pessoas comentaram o assunto e houve seis compartilhamentos. Daniela Wanderley Antunes afirmou que o Bar do Durães foi o "melhor bar da história de MOC: som ao vivo com Ricardo Viana e Lindomar Coimbra. Bons tempos", recordou. Luzia Alane Rodrigues citou que "era a época da Banda Caça Níquel do Ricardo Viana", apaixonou-se. Daniela Wanderley Antunes contou que "encontrou com Black na rua há uns 20 dias. Continua do mesmo jeitim", riu. Ângela Reis marcou presença. "É nóis!". Fabiano Fochi Piolho considerou muito positiva a lembrança. "Legal demais. Mas essa foto era na rua ao lado da Matriz, relíquia de MOC", corrigiu ao se referir ao Corredor Cultural Padre Dudu [Hermano José Ferreira, 100 anos em 16 de junho deste ano], batizado com esse nome no terceiro mandato municipal de Luiz Tadeu Leite (2009-2012). De acordo com o funcionário concursado da Secretaria Municipal de Cultura e criador do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, João Aroldo Pereira, o Corredor Cultural Padre Dudu deveria se chamar Raimundo Colares, artista plástico montes-clarense.

Maria Aparecida Fernandes apareceu para apaziguar os ânimos. "E uma tal de gabrielinha que servia no Durães?", perguntou. Luzia Alane Rodrigues alertou. "Oh, Cida, era o Tatá [Antônio Ataíde Durães] que fazia", revelou aos risos. Maria Aparecida Fernandes retribuiu as gargalhadas. Maria Beatriz mandou "beijos e saudações". César Santos apontou para a imagem que acendeu recordações em todo mundo. "Olha o meu amigo Reginauro Silva aí entrevistando". Val Ferreira mencionou "aquela cerveja gelada no fim da tarde". Lincoln Carneiro bateu palmas. Cida Araújo lembrou que José Pereira Durães é "pai da minha cunhada. Ele está enterrado, tratando de um problema cardíaco", informou. Vera Lúcia Guimarães Braga, assustada, interrogou. "Enterrado?". Cida Araújo retificou. "Desculpas. É o meu corretor. Internado". 

Norma Oliveira estava nostálgica. "Reginauro Silva! Saudades!". Reginaura Silva também sublinhou. "Saudades eternas" e pediu para o autor da imagem enviar para ela esta fotografia. O whatsaap dela é 38 9 9156 6925. Ela é irmã do trabalhador da notícia Reginauro Silva, do jornal "O Norte de Minas", hoje jornal "Hoje em Dia" e ligado ao grupo do político e empresário Ruy Adriano Borges Muniz. Cléo Motta declarou. "São lembranças inesquecíveis". Evely Ávila confirmou. "Eu lembro... e muito bem!". Fernanda Pereira Lessa confessou delicadamente. "Meus amores: Duras e Black". 

Giovanni Fagundes de Souza Neto a questionou. "Você não vai no Mercado de MOC não?". Lessa respondeu. "Não resido mais em MOC. Quando vou, é muito rápido", informou. Giovanni Fagundes de Souza Neto acrescentou que "ele mora perto do Mercado... Você estacionando saindo sentido fundo da Matriz, primeiro quarteirão, lado esquerdo", tentou explicar a atual residência do braço direito de José Pereira Durães, proprietário da Cachaçaria do Durães. "Meu amigo Black! Por onde andas...", reforçou Ângela Mary. Giovanni Fagundes de Souza Neto comentou. "Ontem eu o vi. Você não vai no Mercado de MOC? Não (risos)... Outra vez, você passava em frente dele", disse. 

Ângela Mary admitiu. "Tem anos que não o vejo. Tem mais de dois anos que não vou ao Mercado. Voltei tem cinco meses direto pra cá. Gosto muito dele". Giovanni de Souza Neto exclamou. "Sei onde ele mora!". Sheila Janaína Durães Ramos perguntou, curiosa. "Aonde encontramos Black? Sou filha de Durães. Precisamos falar com ele URGENTE", informou. Giovanni Fagundes de Souza Neto explicou novamente. "Ué... Fácil... Rua do estacionamento do Mercado, sentido Matriz, primeiro quarteirão, lado esquerdo. Tem lojas de fogão ou lado esquerdo". Bernadete Versiani melhor esclareceu. "Black mora e trabalha na Rua Cabo Sant´Ana. Ele trabalha com um moço que conserta fogões". 

Raquel Rodrigues observou a fotografia e a nostalgia transpareceu em seu espírito. "Meu amigo Duras e meu irmão Reginauro. Vivemos ótimos momentos: Danuza, Margô, Eduardo Brasil, Soninha, Ernane Camisasca, Fernando A, Fernando B, Malu, Ivana e tantos outros...". A socióloga Luzia Alane Rodrigues voltou à adolescência e à juventude. "Sou desse time, Raquel, de Danuza e Maluh. Saudades", apertou o coração. Soraia Simões informou. "Durães também voltou para MOC. Mora no Santa Rita. Black mora num quartim perto do Mercado". 

Daniela Wanderley Antunes relembrou de outro bar da cidade. "Outro barzinho massa era o Estação 36 na Avenida Francisco Sá. Alguém lembra?". Jean Carlo concordou. "Lembro sim. Tinha pouco dinheiro. Então pedia de tira-gosto uma porção de amendoim". "Grande Regi", exaltou a fotografia Walmir Freitas. Daniela Wanderley Antunes continuou a recordar de mais barzinhos memoráveis da cidade norte-mineira. "E tinha também o Confluência, o Café, Letras e Expressões na Camilo Prates. Muito bacana!". Érica Manu Alcântara se sentiu exaltada. "Olha Lau", apontou com cara de felicidade. Fabiano Ribeiro marcou Frederico Silva. "Olha seu pai de repórter aí". Dagmar Souza de Oliveira fez praticamente o mesmo. "Olha o Reginauro Silva aí, amigo de meu marido". 

Cláudia Bispo ficou nostálgica. "Saudades". Wenderson Veloso elogiou. "Durães, grande figura". Kildare OK foi ao fundo do poço. "Lembra daquela pimenta escondida, urraaaaa". Vanda Gonçalves de Caires alertou uma amiga. "Zélia, minha querida colega. Saudades...". Ivone de Carvalho reforçou o sentimento. "Muitas saudades". Vera Andrade exclamou com força. "Saudades!!!". José Pereira Durães nasceu na cidade de Brasília de Minas, em 10 de outubro de 1949. Era filho de Leotina Pereira da Rocha e José Ferreira Durães. Faleceu na manhã de quarta-feira, 29 de julho de 2020, sete dias após o grupo virtual Tripulantes da Máquina do Tempo exaltar o seu histórico barzinho. Morava no Bairro Santa Rita de Cássia de MOC. Trabalhou no Frigorífico Wilson, em São Paulo/SP. A Cachaçaria do Durães era fequentada por Igor Xavier e Ricardo Athayde. José Pereira Durães era amigo de Theodomiro Paulino e Paulo César Mota Santiago. A Cachaçaria do Durães incomodou outros barzinhos que lucravam muito durante a realização das festas de julho do Parque de Exposições João Alencar Athayde. 

Imagem registrada da Cachaçaria do Durães em 2005

Imagem registrada da Cachaçaria do Durães em 2005

Imagem registrada da Cachaçaria do Durães em 2005


Cachaçaria do Durães depois de 2005 (imagem da internet) 


Cachaçaria do Durães depois de 2005 (imagem da internet)

Cachaçaria do Durães em reforma (imagem da internet)

Cachaçaria do Durães hoje (imagem da internet)

Clique no título e leia também


terça-feira, 4 de agosto de 2020

Burocracia emperra Agência Nacional do Cinema que administra fundo de R$ 382 milhões

Operário do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social no Estado do Rio de Janeiro (SindSPrev), o jornalista André Luís Pires Pellicione, criticou, no domingo, 26 de julho de 2020, em sua rede social virtual Facebook, a Agência Nacional do Cinema (Ancine). "A Ancine é um lixo. É composta por burocratas incompetentes cujo único objetivo é combater e destruir o cinema brasileiro", desabafou. 

Concordaram com o jornalista Luís Pelliccione 10 pessoas que deixaram cinco comentários. João Barbosa salientou que "dá para se notar quando é para nos dar apoio". Saulo Andrade apontou que "o que atrapalha a Ancine é o governo Bolsonaro. Se fosse qualquer outro presidente, seria outra coisa...", opinou. André Pelliccione argumentou que "não seria diferente não. A Ancine é um aparato burocrático constituído como parte de um modelo neoliberal aplicado no Brasil já nos anos 1990 e cujo objetivo é ´gerir´ o desmonte do Estado. Esse modelo de ´agências´ foi introduzido no país durante o governo FHC [Fernando Henrique Cardoso, presidente do Brasil de 1995 a 2002], o famigerado modelo que, além da Ancine, inclui a ANS [Agência Nacional de Saúde], a Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações], a Agetrans [Agência Nacional de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de Rodovias] e demais ´agências´, cujo objetivo é tão somente savalguardar os interesses do capital privado e agir contra os consumidores e a população em geral. Na Ancine, por exemplo, milhares de prestações de contas de filmes brasileiros ainda não foram respondidas, apesar de os produtores desses filmes terem cumprido todos os prazos exigidos pela Ancine. Tudo porque os incompetentes burocratas daquela agência sentaram em cima dos processos e não fizeram a sua parte que seria apreciar essas contas", considera o sindicalista e conscientiza mais ainda sobre a realidade do cinema brasileiro.

"A Ancine é composta de burocratas incompetentes que, além de combaterem o cinema brasileiro, nada entendem de cinema e tudo fazem para atrapalhar quem realmente faz cinema no Brasil. O pior é que a Ancine administra uma verba milionária, cerca de 382 milhões de reais, que está parada na agência, enquanto os produtores brasileiros necessitam de financiamento. Quero lembrar ainda que, em novembro do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou o então diretor-presidente da Ancine, Christian de Castro Oliveira, por crimes de falsidade ideológica e contra a ordem tributária. A Ancine é mesmo um lixo", reforçou André Pelliccione. O sucateamento do cinema brasileiro começou também no governo liberal de Fernando Collor de Mello (1990-1992), que sucateou a Empresa Brasileira de Filmes Sociedade Anônima (Embrafilme S. A.), criada na Ditadura Burguesa Civil-Militar Brasileira (1964-1985) através do decreto-lei de número 862 de 12 de setembro de 1969 e que ajudava bastante a distribuir a produção cinematográfica nacional. Coordenador do Curso de Comunicação Social (Jornalismo) das Faculdades Unidas Norte de Minas (Funorte) desde que o professor João Henrique Moreira de Faria deixou a instituição, o jornalista Elpídio Rodrigues da Rocha Neto sempre sublinhou essa questão nas sessões do CinemaComentadoCineClube em MOC-MG.         

Felicidade

Felicidade
Ao centro, Gilmar Gusmão participa do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético de 04 a 12 de outubro de 2017 no Centro Cultural Hermes de Paula em MOC-MG

Resistência

Resistência
Gilmar Gusmão declama poesia em escola estadual durante Salão Nacional de Poesia Psiu Poético

Seriedade

Seriedade
Antônio Gilmar Maia Gusmão ministra palestra sobre medicina natural na Pastoral do Menor

Característica

Característica
Gesto típico de Antônio Gilmar Maia Gusmão

Preocupação Social

Preocupação Social
Antônio Gilmar Maia Gusmão visita Pastoral do Menor (Rua Januária, 387/Fundos, Centro de MOC-MG)